Três vereadores, de dois partidos minoritários na Câmara Municipal de Itatiaia, tiveram seus nomes excluídos de todas as comissões parlamentares permanentes de 2008. Um deles prometeu levar a questão à Justiça para tentar anular a eleição realizada na noite de terça-feira (19 de fevereiro), e um outro chamou o presidente do Legislativo de “ditador”. Dos nove vereadores do município, apenas cinco, e todos do PSDB, o partido do governo, compõem as nove comissões deste ano. O presidente da casa, Sebastião Mantovani, o Jabá, também do PSDB, disse que todos tiveram a oportunidade de apresentar suas chapas, mas até o horário da votação apenas uma tinha sido inscrita, a que foi eleita. Ficaram de fora os vereadores Carlos Alberto de Barros Soares e Jarbas Junior Lemos dos Santos, do PDMB, e Vitor Márcio Alves Tavares, do PPS.
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As comissões permanentes são órgãos técnicos formados por três vereadores, e que tem a finalidade de examinar e emitir pareceres sobre as matérias em tramitação na Câmara, além de investigar fatos de interesse da administração pública. Teoricamente, uma decisão contrária das comissões deveria fazer com que a matéria fosse reprovada na votação dos parlamentares. Vitor Márcio cobrou da mesa diretora o cumprimento do artigo 56 do regimento interno, que regulamenta que a cada comissão será assegurada, tanto quanto possível, a representação proporcional dos partidos ou dos blocos parlamentares. Segundo ele, o presidente deveria ter se reunido com os líderes de cada partido para, juntos, escolherem os componentes de cada comissão. O que acabou acontecendo é que apenas cinco vereadores assumiram a presidência das noves comissões. Carlos Alberto chamou o presidente da Câmara de “ditador”, pela atitude de colocar em votação uma chapa única que excluía três vereadores – “esse comportamento não é de vossa excelência, mas como estamos num ano eleitoral, o comportamento mudou, e agora é de um ditador”, disse o vereador. Beto, para exemplificar o “comportamento ditatorial” que, segundo ele, predomina no governo, também leu uma carta, que teria sido enviada e assinada pelo prefeito Jair Alexandre Gonçalves (PSDB) a alguns funcionários com cargos em comissão na prefeitura, e que faz uma cobrança da ausência dos servidores na inauguração da creche de Penedo, chamando-os para uma conversa no gabinete. Vitor Márcio disse que é um absurdo as comissões estarem apenas nas mãos de um único partido, “não dando às demais bancadas o direito de participarem dos debates das matérias importantes”.
O presidente Mantovani não gostou das críticas, e rebateu Beto citando o dito popular que diz que “Deus ajuda quem cedo madruga”, referindo-se aos “atrasos constantes” do vereador, que costuma chegar ao plenário em grande parte das vezes ao final da sessão – “e, além disso, no ano passado o senhor me pediu para não constar das comissões”, cobrou. Jabá também disse que “ditadura foi o que aconteceu no governo anterior”, quando os servidores "foram obrigados a comparecer a repetidas inaugurações ou eram sumariamente demitidos”. Mantovani falou ainda que a eleição das comissões “é feita do mesmo jeito nos oito anos” que é vereador, e que ele não tem culpa do PSDB ser maioria na Câmara, que é um fato de muito orgulho para ele, pois "alguma coisa de boa o partido deve estar fazendo".
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